ESPANHA – Regiões Vinícolas

Regiões vinícolas da Espanha

 

A Espanha é o país com a maior área de cultivo de vinhas do Mundo, e é o terceiro maior mercado produtor de vinhos com 36 milhões de hectolitros. A uva mais famosa é a Tempranillo, seu nome é originário da palavra “temprano” que significa cedo, no caso da uva, esta tem um amadurecimento precoce e é conhecida na Espanha por diversos nomes: Tinto Fino em Ribera Del Duero; em Penèdes de Ull de Lebre; em La Mancha de Cencibel; em Toro é chamada de Tinto de Toro; Ojo, Tinto de Madri; Tinto de Rioja; Tinto Del País; e Tinto de Toro em outras regiões da Espanha.

Ao longo do Douro em Portugal é conhecida como Tinta Roriz e também no norte do país e no Alentejo é denominada Tinta Aragonez.

Na Califórnia é chamada de Valdepeñas.

Na América do Sul (Argentina) de Tempranilla.

Desde que a Espanha entrou na Comunidade Européia, a legislação sobre vinhos vem sofrendo modificações para adaptação às normas dos demais países europeus, classificadas em dois grandes grupos: Vinhos de Mesa  (VDM) e Vinhos de Qualidade Produzidos em Regiões Determinadas (VCPRD).

A classificação dos vinhos obedece a critérios de acordo com o grau de controle e exigências no processo de produção em observância aos níveis de proteção de origem e qualidade.

a)    Classificação dos vinhos de acordo com o grau de demanda em seu processo de elaboração (VCPRD). Define o nível de exigência máximo no controle na produção vinícola e é estruturado em diversos grupos:

Viños de Pago– exigências aplicadas às Denominación de Origen Calificadas: elaborado e engarrafado na vinícola do vinhedo ou município que se encontra. Ex: o grande vinho Veja Sicília.

 Viños com Denominación de Origen Calificada (DOCa)  é reservada àquele vinho que alcançou altas pontuações de qualidade durante um longo período de tempo. A Rioja ganhou a primeira denominação que alcançou essa classificação em 1991. Entre as exigências para conseguir este estágio é a de passar pelo menos de 10 anos desde o reconhecimento como DO. (Ex: Rioja e Priorato).

Viños com Denominación de Origen (DO) para que um vinho possa ser contemplado com esta Denominação de Origem, a zona produtora deve ter sido previamente reconhecida, pelo menos 5 anos de antecipação, para a elaboração de Vinho de Qualidade com Indicação Geográfica.

Viños de Calidad com Indicación Geográfica  deverão ser elaborados numa região demarcada, com uvas que vêm do mesmo lugar e cuja qualidade ou característica se devam aos “meios geográficos, o fator humano, ou a ambos, com relação à produção da uva, a elaboração do vinho ou seu envelhecimento”.

Vinhos de Mesa (VDM) são aqueles que fazem parte de um escalão inferior. Certos empreendedores produzem vinhos em áreas fora dos VCPRD. Compreendem dois grupos:

Vinos de La Tierra – legislação menos exigente da DO, com observação à indicação geográfica, graduação alcoólica mínima e indicação das características  organolépticas;

Viños de Mesa – Inclui o resto dos vinhos.

 b)   Classificação do vinho para característica de envelhecimento

Os vinhos de La Tierra e os VCPRD podem usar as seguintes indicações relativas às categorias de envelhecimento:

Viño Noble usado para os vinhos submetidos a um período mínimo de envelhecimento de 18 meses no total, em recipientes de madeira de carvalho com capacidade máxima de 600 litros ou em garrafa.

Viño anejo sujeito a um período mínimo de envelhecimento de 24 meses no total em recipiente de madeira de carvalho com capacidade de 600 litros ou em garrafas.

Viño viejo são aqueles submetidos a um período mínimo de envelhecimento de 36 meses quando este envelhecimento já tinha marcado caráter oxidativo à ação da luz, do oxigênio, do calor ou do conjunto destes fatores.

O VCPRD tranqüilo poderá usar além das indicações prévias, o seguinte:

Viño Crianza  são os vinhos tintos com um período de envelhecimento de mínimo de 24 meses desses pelo menos 6 serão em barrica de carvalho de 330 litros de capacidade máxima; e para os brancos e rosados com um período mínimo de 18 meses.

Reserva são os tintos com um período mínimo de envelhecer de 36 meses com pelo menos 12 em madeira e o resto em garrafa; os brancos e rosados com um período de 18 meses, 6 deles em madeira.

Gran Reserva são os tintos com um período mínimo de 60 meses de envelhecer desses que pelo menos 18 meses estarão em madeira; os brancos e rosados com período de 48 meses, 6 deles em madeira.

Os vinhos espumantes de qualidade podem usar as indicações  Premium” e “Reserva”; a indicação “Gran Reserva” poderá ser usada pela denominação Cava com um período mínimo de envelhecimento de 30 meses desde a tiragem até o “dégorgement”.

Principais Regiões

A Espanha possui 62 regiões vinícolas registradas, mas apenas em algumas delas encontramos vinhos de superior qualidade. Todas essas regiões têm o selo de “Denominação de Origem” (DO). Cada uma dessas regiões é controlada por um Conselho Regulador (Consejo Regulador) que estabelece normas e procedimentos como: vinificação de acordo com processos autorizados, produção dentro dos limites oficiais e outras determinações dos conselhos regionais. O país de se divide em 3  grandes partes:

Noroeste que inclui as zonas costeiras frias da Galícia e as terras altas e quentes da Castilla y Leon, no interior;

Nordeste que abrange La Rioja, Aragón, Navarra e Catalunha;

Centro e Sul que incluem Madri & Estremadura, Castilla La Mancha, Valência & Murcia, Andaluzia e as Ilhas Canárias.

Aréas vinícolas: Região Noroeste

Galícia apresenta condições ideais para vinhos brancos frescos, secos e frutados devido ao clima frio e úmido e ao versátil solo granítico. Os mais importantes são feitos com a uva Albariño. Possui cinco zonas DO: Rias Baixas,Ribeiro,Valdeorras, Ribeira Sacra e Monterrei.  Solo: granítico, aluvial e ardósia. Uvas Tintas: Mencia; Brancas: Albariño e Godello.

Castilla y Leon: Antigo coração da Espanha Castellana. Cobre 1/5 do país. Vinhos básicos até os anos 80, quando Ribera Del Duero conquistou o status de DO e começou a se fazer presente. A DO Ribera Del Duero é sem dúvida a mais importante DO de Castilla y León. Seu vinho mais famoso, o Veja Sicília, provou já em meados do séc. XIX que é possível fazer ali tintos de nível internacional. A região possui 5 zonas DO: Ribera Del Duero, Rueda, Toro, Cigales e Bierzo. Solo: Aluvial, pedra calcária e cal.Uvas: Tintas: Tempranillo; Brancas: Verdejo e Sauvingnon Blanc.

Áreas Vinícolas – Região Nordeste

O Nordeste da Espanha é formado pelo País Basco e inclui também 4 das mais dinâmicas regiões vinícolas do país – La Rioja , Navarra, Aragón e Catalunha que somam 17 DOs. O País Basco consiste em 3 províncias: Biskaya, Gipuskoa e Araba. Solo: Arenoso sobre argila. Uvas – Tintas: Hondarrabi Beltza e Tempranillo; Brancas: Hondarrabi Zuri.

La Rioja – Desde a década de 80 investiu-se muito na região e em 1991 Rioja foi promovida à DOCa.

Em Rioja só são permitidas sete uvas, provenientes de três sub-regiões: Rioja Alta e Rioja Alavesa onde ficam os melhores Tempranillo e Graciano que são plantadas em até 600m de altitude em solos argilosos ricos em cal e ferro.

Rioja Baja a mais baixa (300m) e quente, com solo aluvial, cultiva principalmente Cariñena (Carignan ou Mazuelo) e Garnacha.

Os vinhos da Rioja podem envelhecer por muitos anos, e é preciso se acostumar ao seu sabor. São classificados em : Joven, Crianza, Reserva e Gran Reserva.

DO Navarra por muitos anos viveu à sombra da sua vizinha Rioja, produzindo roses bons a excelentes. Mudanças nos anos 80 quando novas leis permitiram o plantio de mais uvas (Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir, Syrah, Chardonnay, Gewurztraminer). Divide-se em cinco sub-regiões: Valdizarbe, Tierra Estella, Ribera Alta, Baja Montaña e Ribera Baja.Solo: principalmente cascalho sobre cal, arenoso nas terras baixas. Uvas – Tintas: Tempranillo, Garnacha, Cariñena e as francesas. Brancas: Garnacha Branca, Macabeo, Chardonnay, Gewurztraminer.

DO Aragón – Existem 4 Dos nas duas províncias dessa área: Campo de Borja, Calatayud e Cariñena na província de Zaragoza e Somontono ao norte, na província de Huesca. Em Zaragoza, nas 3 províncias cultiva-se Garnacha, Tempranillo e Cariñena (Carignan) e as francesas Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah  para os tintos e Macabeo (Viura) para os brancos.

Somontono é totalmente diferente, novos investimentos e reformas tornaram esta área uma das mais dinâmicas da Espanha. As uvas locais Moristel (tinta) e Alcañon (branca), mais a Tempranillo, Macabeo e as francesas vêm produzindo ótimos vinhos frescos e frutados.Solo: Arenoso sobre pedra calcária. Arenitos com carbonatos.

DO Catalunha – Faz vinhos de sucesso há mais de ½ século, em grande parte aos esforços da família Torres. Mas a explosão do turismo nos anos 60 que levou os produtores da região a elaborar vinhos tintos que hoje rivalizam com os melhores do mundo. A Catalunha tem 11 zonas DO,  mais do que qualquer outra região espanhola. A maior e mais importante, com 27.500 há, é a Penedés, na província de Barcelona. A segunda em importância é Priorat, uma das menores, com 1.800 há, localizada na provícia de Terragona, também uma DO. Vale notar ainda as Dos mais recentes de Monsant e Costers Del Segre.

Esta região tem ainda algo único: a Catalunha DO, oficializada em 1999 permite combinar vinhos DO de várias regiões catalãs, sem a perda do status DO. Solo: aluvial, arenoso e argila sobre pedra. Uvas – Tintas: Tempranillo, Garnacha, Cabernet Sauvingnon, Merlot e Pinot Noir. Brancas: Parellada, Macabeo, Xarel-lo, Chardonnay e Riesling.

Áreas vinícolas : Centro e Sul da Espanha

Esta vasta área abrange cinco regiões autônomas que se dividem em 32 Dos, entre elas 2 Pagos (propriedades individuais). Algumas Dos têm interesse apenas local, outras, com Jumilla e Yecla ganharam fama por alguns de seus produtores famosos.

Umas poucas como La Mancha e Valência, estão chamando a atenção fora da Espanha, principalmente por seu custo e benefício. A mais importante é a DO Jerez que produz o vinho espanhol mais antigo e hoje o mais vendido.

Centro da Espanha: Castilla – La Mancha

Esta ampla região a sul- sudoeste de Madri tem enorme potencial. São produzidos grandes volumes de vinhos, mas das sete Dos, somente La Mancha e Valdepeñenas têm feito vinhos de melhor qualidade. As outras cinco são: Almansa, Méntrida, Manchuela (2000), Mondéjar (1997) e Ribera Del Júcar (2003).

A principal cepa é Tempranillo (ali chamada de Cencibel), mas a Cabernet e a Syrah também são plantadas. A branca mais plantada é a Airen, que produz vinhos leves, frescos e aromáticos.

Centro da Espanha: Madri & Estremadura

Na área do sul de Madri, em direção a Portugal, encontra-se a DO “Vinos de Madri”, cultivando a uva Garnacha para vinhos tintos e a uva Malvar para brancos, sem entretanto produzir vinhos expressivos.

Centro da Espanha: Valencia e Murcia

Conhecida também como Levant, possui seis zonas DO, mas poucos vinhos bons, são elas: Valencia: Alacante (Alicante), Utiel-Requena, Valencia; Murcia: Jumilla (que reabilitou a Monastrel na região) Yecla e Bullas.

Áreas Vinícolas: Sul da Espanha

O sul da Espanha (Andaluzia) é sinônimo de Jerez. Mas além do Jerez, temos também Montilla-Moriles, Condado de Huelva e Málaga.Solo: Areia ou argila sobre pedra calcária e muito cal no oeste.Uvas – Brancas: Palomino, Pedro Ximénez e Moscatel; Tintas: Garnacha, Tempreanillo, Syrah, Merlot e Petit Verdot.

DO Málaga conhecida pelo fortificado escuro de uvas Pedro Ximénez. Agradável e com sabor de caramelo.

DO Jerez os vinhos de Jerez formam um triângulo entre as cidades de Jerez de La Frontera, Puerto St. Maria e Sanlúcar de Barrameda. Área caracterizada pelo alto teor da Cal do solo, que absorve água na estação chuvosa e supre as raízes das vinhas nos meses escaldantes do verão. A uva mais importante é a Palomino, que dá origem aos principais estilos de jerez. A Pedro Ximénez é mais rica e empregada em vinhos mais adocicados, e a Moscatel produz o mais puro vinho doce.

Vinificação & Fortificação O vinho é feito como qualquer vinho branco seco. No ano seguinte ele é fortificado ligeiramente com álcool puro até 14,5% para a formação da flor.

Flor é a levedura natural que forma um filme sobre a superfície do vinho, impedindo a oxidação e conferindo um toque de fermento e frutas secas.

Jerez:  O Sistema solera – Este sistema complexo é a chave do controle de qualidade do jerez: misturam-se vinhos jovens e velhos semelhantes para manter a constância. Empilham-se 4 a 5 fileiras de barris de carvalho conhecidas como escalas ou criaderas. Todos ano, 2/3 do vinho de cada fileira são misturados com 1/3 do vinho da fileira ano seguinte.

O vinho vendido é o da fileira mais antiga, que é abastecida com a seguinte e assim por adiante. Cada tipo de jerez tem sua própria solera: no caso do fino, o vinho novo renova a flor que se forma; no oloroso, o vinho novo logo adquire a riqueza e maturidade do vinho mais velho.

Um bom exemplar passa cerca de 5 anos no sistema antes de ser distribuído.

Estilos de Jerez

Fino – É o vinho mais seco e pálido de Jerez. São refortificados até 15,5%;

Manzanilla – É o fino amadurecido na cidade de Sanlúcar de Barrameda, de particular mesoclima oceânico. É o jerez mais fresco e delicado, às vezes com um toque cítrico no nariz, mas com o típico sabor amendoado;

Amontillado – Quando o fino envelhece mais de 5 anos na solera, torna-se fino amontillado: a flor morre e o vinho e o vinho começa oxidar e adquirir delicada nuance de amêndoas. A boca é mais rica, mas ainda totalmente seca. Em Sanlúcar se chama Manzanilla Pasada. Após dez anos de  solera o vinho escurece, ganhando tom de avelã e é chamado de Manzanilla.

Oloroso Rico e marcante quando amadurecido mais de 10 anos na solera, é totalmente seco e fortificado até 17,5%. Pode ser adocicado com um pouco de Pedro Ximénez para cria um vinho cremoso, porém de corte comercial;

Palo cortado – É raro e caro, é feito quando a flor morre inesperadamente. O vinho é envelhecido separadamente e adquire o sabor amendoado do fino suavizado com riqueza do oloroso;

Varietais – Tendem a serem os estilos mais doces, normalmente da uva moscatel. O PX é um dos vinhos mais ricos e doces do mundo é feito de uvas Pedro Ximénez desidratadas ao sol, ficando opaco e quase preto.

Jerez com Idade Marcada – Podem ser classificados pela idade em estilos de 12, 15, 20 e 30 anos. Emprega-se fórmula complexa para determinar as idades médias dos vinhos que estão na solera;

Jerez Vintage – Vinhos de safras individuais. São mantidos separadamente dos vinhos da solera;

Jerez de um só Barril – Vinho produzido e engarrafado de um só barril.

Salud!

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